Poema: Sagrada

domingo, agosto 16, 2015

Resenha: O Sol é Para Todos, de Happer Lee

Titulo: O Sol é Para Todos
Autor: Happer Lee
Tradutor: Beatriz Horta
Gênero: Romance Estrangeiro
Paginas: 364
Editora: José Olympio - Selo Grupo Editorial Record.
Sinopse:
A nova edição de um dos maiores clássicos da literatura norte-americana moderna. Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.







Olá Flores,

Este é um romance que narra a historia de uma tradicional família Sul Americana.  Eles viviam na pacata cidade de Maycomb em uma casa construída as margens do rio Alabama. Mais especificamente o livro fala do cotidiano de um ramo desta família, Atticus Finck, 50 anos, viúvo e pai de dois filhos. Atticus é advogado e conta com a ajuda da reta senhora Calpúrnia, uma mulher negra para cuidar de sua casa e cumprir o papel social de mãe das crianças.

Scout com idade próxima de sete anos e Jem em torno de 11 anos. Apesar de serem educadas sobre rígidos princípios de ética e valores vigentes na sociedade local, as crianças tinham liberdade para brincar e se aventurar vivendo a infância de forma bastante tranquila e saudável.  Subiam em arvores, encenavam peças de teatro com base nas historias lidas em livros ou simplesmente inventavam suas histórias usando fatos locais conforme entendiam com o olhar infantil e curioso delas.

Uma das primeiras coisas que me chamou atenção nesta narrativa foi quando no primeiro paragrafo do segundo capitulo me deparei com a seguinte frase; “ [...] fiquei péssima sem ele até que me lembrei que as aulas começariam em uma semana”.  Somente neste ponto notei que Scout nossa narradora era uma menina visto eu não ter lido sinopse e a forma como o pai criava os filhos sem privilégios de gênero não me deu nenhuma pista deste detalhe. Retomei a leitura e confirmei que nada antes disso, na escrita da autora deixava transparecer que Scout era uma menina. As crianças tinham direitos iguais, vestiam-se como queriam, comandavam as brincadeiras, selavam acordos com apertos de mãos e cusparadas, oque deixavam as damas de cabelos em pé enquanto afirmavam categoricamente que Atticus Flinck estava estragando a filha, criando-a feito a um moleque selvagem.

Todas pequenas tramas que a autora apresenta no cotidiano da pequena dupla de irmãos são oportunas e congruentes com a construção da problemática central, que a autora pretende alavancar na parte dois do livro. Enquanto na parte um do livro as aventuras das crianças ocupam o plano central da história como suas dúvidas, anseios e desafios a serem enfrentados. Também as relações das crianças com seus pares, com os adultos da família e de fora dela e a convivência escolar, tudo se tornando uma descoberta diária.

Na segunda parte estando os personagens e o leitor contextualizados naquele universo tão peculiar a narrativa então se foca de fato na questão do racismo e preconceito em si, quando o senhor Atticus Finck resolve ir contra a opinião da maioria dos moradores da cidade e atua enquanto advogado de defesa de um jovem negro acusado de estuprar uma jovem mulher branca.

Ora se pensarmos que este romance retrata uma sociedade do inicio do século XX, década de 30 e estas pessoas eram frutos de uma região onde a resistência aos direitos civis  dos negros norte americanos foi  muito maior que em outras partes do pais. Podemos avaliar o peso descomunal desta obra para toda a sociedade e entender o motivo deste livro até hoje ser aclamado pela critica e estudiosos do meio literário.

A autora trabalha o tempo inteiro mostrando ao leitor diferenças entre oque é nato e oque é socialmente construído como tabus, preconceitos, relações de gênero, estruturas familiar e social. Happer Lee marca diferenças, mostra singularidades, desconstrói estereótipos porem ao mesmo tempo não consegue sair de outros rótulos e estigmas.  Talvez pela época em que foi escrita a obra ou quem sabe propositalmente a autora se deixa cair em algumas armadilhas ao tratar de racismo e preconceito racial.

Tendo dito isso apontarei alguns destes porem que a meu ver torna-se a maior, única e imperdoável falha desta obra.  Simplesmente as personagens que estão a margem desta sociedade não tem voz neste livro, elas se colocam quando indagadas pelas autoridades, patrões, vizinhos, donos de boteco, quitandeiro.... BRANCOS.  Este não é um livro que fala dos negros é um livro que fala sobre  e pelos negros.  

Principalmente a obra apresenta de maneira ampla três tipos de pessoas brancos, o atrasado e preconceituoso que trata a pessoa negra como inferior a ela pelo simples fato de ser negra incutindo a ela todo tipo de erro e falha tratando os desiguais com hipocrisia, os brancos bons que compreendem que todos os homens e mulheres são supostamente iguais perante “a lei de Deus e dos homens”, podendo errar ou acertar como todo e qualquer ser humano e o branco marginal, pobre, desempregado, escoria social que mesmo sendo desprezados pelos outros cidadãos ainda eram considerados em uma escala superior ao negro.

Em momento algum neste livro vi o povo negro representado e eu considero impossível discutir algo que aflige diretamente a alguém sem convidar a este alguém para que se expresse sendo assim oque vi, volto a firmar foi impressões de pessoas brancas sobre oque pensariam ou gostariam as pessoas negras.  Um advogado branco se levanta para defender um acusado negro que no desenrolar da historia mesmo sendo o pivô da trama não obteve destaque, não aprumou os ombros, não ergueu a vista e mal abriu a boca.

Sobre esta obra de Happer Lee no site da Livraria Saraiva encontramos o seguinte:
 “O sol é para todos, com seu texto forte, melodramático, sutil, cômico (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações. Com nova tradução e projeto gráfico, este clássico moderno volta à cena, justamente quando a autora lança uma continuação dele, causando euforia no mercado. Desde o anúncio de sua sequência, O sol é para todos é um dos livros mais buscados e acessados no site do Grupo Editorial Record.  Já vendeu mais de 30 milhões de cópias nos Estados Unidos e, no último ano, ganhou a recomendação do presidente Barack Obama, que proferiu o seguinte elogio: “Este é o melhor livro contra todas as formas de racismo”. Vencedor do Prêmio Pulitzer. Escolhido pelo Library Journal o melhor romance do século XX. Eleito pelos leitores de Modern Library um dos 100 melhores romances em língua inglesa. Filme homônimo venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado”.

Sem mais... Abraços Poéticos,


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